segunda-feira, 28 de outubro de 2013

A História do Ballet ..


 Ballet Séc. XV — XVI.


O bal­let sur­giu como espe­tá­cu­los sole­nes durante o período renas­cen­tista. 
Eram espe­tá­cu­los apre­sen­ta­dos em fes­tas aris­to­crá­ti­cas, onde músi­cos e bai­la­ri­nos da corte cola­bo­ra­vam para criar entre­te­ni­mento para a nobreza.
 A core­o­gra­fia era adap­tada nos pas­sos das dan­ças nobres, os dan­ça­ri­nos vestiam-se da roupa da moda e, ao fim, era comum o “público” entrar na dança.

 


O iní­cio his­tó­rico do bal­let é, geral­mente, datado de 1581. No dia 15 de Outubro daquele ano, na sala Le Petit-Bourbon, em Paris, foi apre­sen­tado “Le bal­let Comique de la Reine”  (O Balé Cômico da Rainha), sendo que na lin­gua­gem tea­tral da época, cômico que­ria dizer “dramático”.
Com core­o­gra­fia de Balthazar de Beaujoyeulx, música ins­tru­men­tal de Lambert de Beaulieu e François Cajetan, música vocal de Jacques Salmon, décors (cená­rio e figu­ri­nos) de Jacques Patin e texto de La Chesnaye; o bal­let durava mais de 5 horas e fazia parte das come­mo­ra­ções do casa­mento de Marguerite de Vaudemont com o Duque Anne (nome mas­cu­lino) Joyeuse. Ela era irmã da então rai­nha da França, Louise de Lorraine. Além de dan­ças, músi­cas e dra­ma­tur­gia, esse espe­tá­culo tinha falas.
Este é con­si­de­rado o pri­meiro espe­tá­culo de bal­let da his­tó­ria, o espe­tá­culo que deu iní­cio ao Ballet de Corte. Mas e antes? Que fatos exis­tem que são rele­van­tes para a his­tó­ria da dança?
Os mais impor­tan­tes aper­fei­ço­a­men­tos na arte da dança naquele período ocor­re­ram nas cor­tes da Itália. Podemos citar três espe­tá­cu­los, ante­ri­o­res ao “Ballet Comique de la Reine”, que for­mam o pro­tó­tipo do bal­let atual. O segundo deles, inclu­sive, já apre­sen­tava todos os ele­men­tos cita­dos acima como sendo carac­te­rís­tica de um ballet.
Em 1473, em Roma, Pietro Riario orga­ni­zou o “Baile de Hércules”, que entrou em par­tes no grande espe­tá­culo “Triunfo romano de Eleonora d’Aragona”. Em “Baile de Hércules” exis­tiam várias dan­ças mou­ris­cas em um tempo muito rápido, que car­re­ga­vam grande efeito dramático.
Em Tortona (tam­bém na Itália), no ano de 1489, Bergonzio di Botta orga­ni­zou uma festa core­o­grá­fica para come­mo­rar o casa­mento do gover­na­dor de Milão, Gian Galeazzo Sforza, com Isabella de Nápoles. Uma dança de nome Entrée dava ini­cio a cada parte da festa, e enquanto os con­vi­da­dos fes­te­ja­vam, era apre­sen­tada uma série de cenas core­o­grá­fi­cas cujo tema era rela­ci­o­nado ao motivo da come­mo­ra­ção: a gló­ria do amor con­ju­gal. Por con­ter todas essas carac­te­rís­ti­cas, alguns con­si­de­ram este como sendo o pri­meiro espe­tá­culo de bal­let da história.
Em 1496, em Milão, Ludovico Sforza (il Moro), tio de Gian Galeazzo, abriu a festa “Paraíso” – grande apre­sen­ta­ção com ele­men­tos de dra­ma­tur­gia, canto e dança. Todo o figu­rino e cons­tru­ção de impres­si­o­nan­tes meca­nis­mos cêni­cos foram fei­tos por, nada mais, nada menos, que Leonardo da Vinci.
Poucos são os nomes do Séc. XV conhe­ci­dos hoje, que podem ser con­si­de­ra­dos pro­fis­si­o­nais da área. Só conhe­ce­mos àque­les que escre­ve­ram sobre a dança, sobre­tudo Domenico de Piacenza, que é con­si­de­rado o pri­meiro teó­rico da dança. Ele ensi­nava dança aos nobres e escre­veu o livro: “De arte sal­tandi et cho­reus ducendi” (Sobre a arte da dança e con­du­ção de dan­ças), onde optou pelo termo Ballo ao invés de danza. Por essa razão, as suas dan­ças fica­ram conhe­ci­das como Balletti, e é pos­sí­vel que a esco­lha da pala­vra, feita por Domenico, levou ao sen­tido da pala­vra “bal­let” como a conhe­ce­mos hoje.
Em 1533, a aris­to­crata ita­li­ana Caterina de Medici casou-se com o prín­cipe her­deiro da França, Henri II. Ela era muito inte­res­sada em artes e levou esse inte­resse para Paris. Medici, den­tre outras coi­sas, finan­ciou e orga­ni­zou fes­tas com apre­sen­ta­ções, que tinham como tema os inte­res­ses polí­ti­cos do reino, como em “Le Ballet des Polonais” (O Ballet Polonês), mon­tado por motivo da visita dos embai­xa­do­res polo­ne­ses em 1573, e tinham tam­bém apre­sen­ta­ções com temas mitológicos.
No mesmo ano em que ocor­reu o “Ballet Comique de la Reine”, 1581, foi publi­cado por Fabritio Caroso o livro “Il Bailarino”, um manual téc­nico das dan­ças da aris­to­cra­cia, tanto as soci­ais quanto as de espe­tá­culo, fazendo da Itália ponto de refe­rên­cia no desen­vol­vi­mento da téc­nica da dança.
Em 1580–1585, foi cons­truído o pri­meiro tea­tro com pros­cê­nio do mundo, o Teatro Olímpico de Veneza.
Em 1588, apa­rece o pri­meiro livro fran­cês sobre dança: “Orchésographie”, de Thoinot Arbeau. Nele apa­rece a des­cri­ção da posi­ção virada para fora, o que cha­ma­mos hoje, sim­ples­mente, de “en dehors”.




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